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Na costa do Caribe colombiano, a uma hora da cidade de Cartagena, entre montanhas e lagoas, encontra-se um lugar onde apesar do passar do tempo seus habitantes vivem como há vários séculos, guiando-se por seus costumes, tradições e ritos africanos.
Seus habitantes preferem chamar a comunidade de San Basilio de Palenque e não Palenque de San Basilio, argumentando que o povo não é do santo mas o santo é do povo.
Este lugar, conhecido como San Basilio de Palenque é famoso graças a seu símbolo, as palenqueras, isto é mulheres de pele escura que caminhando com vestidos multicoloridos, movem os quadris e balançam em suas cabeças as palanganas cheias de frutas frescas.
As palenqueras são a imagem de uma história complicada e difícil de seus ancestrais e simbolizam a luta dos negros cimarrones (escravos que com muita coragem fugiram de seus donos para procurar um futuro melhor).
As palenqueras conservam a tradição da sociedade africana trazida a estas regiões sul-americanas durante a Conquista espanhola, quando à América do Sul chegaram os barcos cheios de escravos provenientes da África. Pouco depois, na época da Colônia, começaram a aparecer nas altas montanhas os palenques, isto é assentamentos onde se reuniam os negros cimarrones ou os rebeldes quando escapavam de seus donos.
A palavra palenque se converteu no símbolo da liberdade, já que toda pessoa que chegava a fazer parte de um palenque, era automaticamente livre.
Desde o século XV, San Basilio de Palenque é considerado o primeiro povoado de escravos livre na América do Sul e o berço da riqueza cultural africana no território colombiano.
Os palenqueros vivem numa organização social herdada de seus ancestrais africanos: os “ma-kuagro”, de acordo com a qual toda a sociedade se divide em grupos de idade, o que permite a divisão de trabalho, a proteção do território, a conservação das tradições baseadas na honestidade, na solidariedade e no espírito coletivo.
Outra forma de organização social, igualmente presente em San Basilio de Palenque, é a “junta” que se constitui a base de um propósito concreto (por exemplo alguma doença) e desaparece, uma vez o objetivo tenha sido alcançado.
A língua palenquera é o único idioma crioulo no mundo criada à base do espanhol com elemêntos africanos.
A língua palenquera é uma língua crioula criada à partir do léxico do espanhol com características morfosintáticas das línguas autóctones do continente africano, sobretudo da família bantú. Os pesquisadores detectaram também que o léxico palenquero possui palavras provenientes de kikongo e kimbundu.
Este tipo de idiomas crioulos se criou como resposta à impossibilidade de comunicação entre os europeus e os diferentes representantes do continente africano trazidos a América do Sul e pertencentes a diferentes famílias lingüísticas.
Além do idioma, no palenque se conservou a música africana e a tradicional forma de fabricação de instrumentos para interpretá-la, como tambores (os mais conhecidos são: o pechiche, o bongó, a timba, o bombo, o llamador e o alegre), a marimbula e as maracas.
Nestes instrumentos se tocam os ritmos de:
Festival de Tambores e Expressões Culturais de Palenque se realizará entre 9 e 12 de outubro de 2009.
Para preservar e proteger suas expressões culturais, durante o mês de outubro de 2009, o Palenque de San Basilio se encherá de ritmos de tambores que recrearão as tradições orais do Palenque, mantendo sua cultura viva e vibrante.
Neste palco se relatarão contos, lendas e mitos na língua palenquera que serão traduzidos ao espanhol. Além disto se realizarão apresentações de documentações orais e visuais, como fotografias e vídeos de trabalhos dos pesquisadores do palenque.
Data: 9 de outubro de 2009.
Durante a exposição, se apresentarão ante o público os grupos de música e danças representativos do palenque. Também, terá grupos convidados de Brasil, Equador, Peru e Venezuela. Além disto se realizarão oficinas de percussão dos diversos ritmos da comunidade de palenque.
Data: 10, 11 e 12 de outubro de 2009.
Às 4 da madrugada, os grupos de bailarinos de uniformes e tambores se encontrarão na praça principal para começar a grande caminhada pelas principais ruas da comunidade. Durante esta manifestação, se visitarão as casas dos personagens mais representativos das manifestações culturais palenqueras.
Data: 11 de outubro de 2009.
Neste espaço se exporão os artesanatos que mostram a cultura de San Basilio do Palenque.
Data: 10, 11 e 12 de outubro 2009.
Neste evento da programação, as mulheres palenqueras ensinarão os diferentes estilos e classes de penteados afro como elementos da identidade e pertence à comunidade. Adicionalmente, se revelarão os truques como mantê-los limpos e estéticos.
Data: 10 e 11 de outubro de 2009.
As mulheres de Palenque de San Basilio se caracterizam por manter um equilíbrio quando transportam objetos na cabeça, tais como tanques, porcelanas e as ferramentas para lavar as roupas. Nesta mostra, se apresentarão as dinâmicas trabalhistas das palenqueras.
Data: 10 e 11 de outubro de 2009.
Com a diversidade da comida palenquera se permitirá aos visitantes apresentar as receitas de pratos e doces tradicionais da culinária da região.
Data: 10, 11 e 12 de outubro de 2009.
Em San Basilio de Palenque, os habitantes se comunicam em seu próprio idioma, a língua crioula criada à base do vocabulário espanhol com uma forte influência de idiomas africanos: bantú, kikongo e kimbundu. Falar de língua palenquera não se limita unicamente a seus aspectos gramaticais e estruturais. A língua palenquera é toda uma construção cultural relacionada com a interpretação da realidade desta comunidade.
Data: 10 e 11 de outubro de 2009.
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